Terça-feira, Agosto 12, 2008
Espectros de azul e vermelho que se confundem. As pessoas lêem vermelho, quando o que ela quer é destilar azul e verde de esperança. Luzes de furtar cores das mais diferentes intensões saem da alma dela, que por si só já é confusa. Difícil de ler e entender. E ela não hesita em escrever suas linhas meio tortas pelo mundo, confundindo as cabeças sem querer querendo, querendo sem querer. Não é de indecisão e aí é que está. É de decisão decidida por calor, por choque de átomos, implosões e explosões desmedidas. Insiste em acreditar que a culpa é do mundo de ilusões, de iludidas impressões, imprimidas sensações previsíveis. E segue sendo desmedida numa pequena grande medida, de grosseria fina, falando como se vomitasse as cores, o asco, as borboletas. Poderia ser uma letra, mas são várias misturadas.
ela é chegada em azedo e amargo
Terça-feira, Agosto 05, 2008
Laranjas, amarelo, azul e nós dois na gangorra, pra cima e pra baixo, alternadamente. Havia lágrimas de palavras não ditas em meus olhos, prontas pra cair junto com as letras quando descessem e já não desse. Antes de descermos, alguns olhares trocados com sorrisos de compreensão, como antes. Um pouco antes de não sermos mais durante. Imagens da vida que imaginei pra você sem mim ainda cortavam o que realmente via. Você, aquele mesmo um pouco diferente porque não me tinha nos olhos. Não tinha sequer lágrimas de palavras não ditas e isso eu estranhava. Talvez houvesse as outras que eu imaginava. Não saberia, as palavras não ditas continuaram assim, dentro de você, dentro de mim. Descemos em dois saltos, joelhos e cotovelos na areia se cruzando em um abraço que finalmente dispensava palavras antigas, de coisas antigas, e soube que era pra sempre, o que quer que fosse, mesmo que fosse só n'eu.
seus olhos querem fugir de mim
leite com sal e outros bodes
se ela fosse planta seria a comigo-ninguém-pode
em seus cabelos a curva da fita
prende a flor da madrugada
mas nas unhas se vê o quanto é aflita, invocada
mas o mundo é tão pequeno
fatalmente vai me ver passar
posso até querer te falar como estou
mas não vou
prefiro ficar mudo
e deixar a dor sangrar
em mim