Domingo, Maio 27, 2007
Arrancar tudo de si e se arrancar de tudo. Tornar-se recipiente completamente vazio, incolor, inodoro, insípido, invisível, indiferente. Despir-se das imagens, internas e externas. Renovar neurônios, não pensar nada pra poder pensar pela primeira vez. Sentir os estímulos com os sentidos aguçados, com o corpo desacostumado.
Sábado, Maio 19, 2007
Eletricidade em azul. Colisão intensa de átomos, implosão. Pobre menina. Jatos de letras desordenadas e borboletas pelo ar, fugindo como que desesperadas do incêndio. Não televisionaram. Sequer virou nota em jornal. Ninguém reparou.
Sábado, Maio 12, 2007
É frio, mas faz sol. As sombras tomam outro significado. As cores mudam de tonalidade, se combinam de outras formas e pintar de cinza nem parece ser tão ruim. As tardes e as noites são mais bonitas, nítidas, como se cada instante fosse um quadro diferente. Os livros e os cobertores ficam mais atraentes, as músicas mais suaves, os gostos mais apurados. As peles, antes tão banalizadas, se transformam em tesouros escondidos. Os olhares recuperam seus poderes, os abraços voltam a ser remédio, os encontros retomam sua relevância. O suor, outrora componente de qualquer cena, se diverte escolhendo o momento de aparecer. Porém, apesar de toda beleza, há que se tomar cuidado para não adoecer, já que os vírus e a solidão parecem também gostar muito dessa época do ano.
Domingo, Maio 06, 2007
Não tem peruca, não tem livro, não tem travesseiro. Não tem som, nem sombra, nem espelho. Num tem leão, num tem coceira, num tem isqueiro. Sem mariposa, sem sutiã, sem patins. Não tem pescoço, não tem joelho, não tem neeem canela. Nada de rima, nada de quadro, nada de pedra nos rins. Lá num tem autorama, num tem chaminé, num tem piolho. Num tem azulão, nem arroz, nem tempero. Nada de fumaça, num tem nem cheiro. Num tem ovo, num tem bolso, num tem dinheiro. Nada de frango, de pasta de dente, de pêlo. Sem sol, sem ré, sem dó. Sem ó, sem uai, sem lalalá. Sabe lá, aonde não há, aonde não tou? Lá cabou o blablablá. Mas aqui... ai, ai, tá longe de cabá.