Terça-feira, Abril 25, 2006

Já não sei mais escrever, mas sei citar.


"Socorro, não estou sentindo nada. Nem medo, nem calor, nem fogo, não vai dar mais pra chorar, nem pra rir. Socorro, alguma alma, mesmo que penada, me entregue suas penas. Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada.

Socorro, alguém me dê um coração que esse já não bate, nem apanha. Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa... Qualquer coisa que se sinta! Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva."

(ANTUNES & RUIZ, 1998)


Ah. E sei reclamar também.

Cássia Eller - Socorro

Marina @ 19:19.



Quarta-feira, Abril 05, 2006

Todos os dias, no mesmo horário, esperava o ônibus com a bolsa embaixo do braço. Entrava e sentava no mesmo lugar de sempre, próximo a janela. Não falava com ninguém, não desgrudava os olhos da rua, não movia a bolsa, não parava em lugares diferentes. Ingressava e desembarcava no ponto inicial e final, que eram um só.

Certa vez, após um longo tempo repetindo essa rotina, embarcou e percebeu que um homem havia tomado seu lugar. Sentou ao lado e ficou muito agitada. Mexia na bolsa, mexia no cabelo, remexia no assento. Olhava perturbada para o passageiro intruso e desejou com todas as suas forças que ele desaparecesse, que devolvesse o que era seu, que não voltasse nunca mais.

Já passando da metade do caminho, o homem ajeitou suas coisas para descer e a senhora afobada mal esperou que ele saísse de fato para tomar seu assento de volta. Ali novamente, com semblante tranqüilo, a mulher fitava a rua, como se nada tivesse acontecido. Tudo havia voltado ao normal.


Permaneço aqui estático.
Não vale mesmo a pena, não.


Mombojó - Estático

Marina @ 20:17.