Terça-feira, Novembro 22, 2005

Pelada de domingo. Tarde da noite. Contra-ataque. O baixinho de preto pega a bola no meio-campo e o time de verde não esboça reação.

A atacante, um pouquinho fora de forma, decidiu não ajudar na marcação desde o último dos quinze passes errados que ela "recebeu". Cansou de ser mulher de malandro. Eles que se virassem pra lá.

O homem de ligação, meio franzino, boceja e olha pra arquibancada. Com certeza ele tá preocupado com a carona que já deve ter ido embora. Como ele vai fazer pra chegar em casa a tempo de dormir boas dez horas de sono? Tem que garantir o rendimento no serviço, né?!

E lá vai o baixinho.

O volante, desnorteado e viado (pelo menos é o que dizem as más línguas), se mostra apreensivo com a chegada do temido ala esquerdo. Corre um pouco prum lado, um pouco pro outro e cola no homem que vinha como bala em sua direção. Mas o baixinho, esperto como só ele, havia tocado um segundo antes prum rapaz mais encorpado do seu time que arranca como um touro em direção ao gol.

E lá vai o baixinho com o viado grudado nele.

O gord..., digo, o fortinho faz um lançamento espetacular pro baixinho. O bicha tava olhando pra bola e esqueceu de prestar atenção nas costas.
Ê-la-iá.

Os outros dois zagueiros, sabe-se lá por que, estavam confabulando do lado direito do campo. Aliás, fora dele, encostados no alambrado. Os dois não tinham jeito que fariam alguma coisa útil, de qualquer maneira...

O baixinho tava cara a cara com o goleir... MEU DEUS! Cadê o goleiro? Puuuuutz. Esqueceram de chamar o goleiro, velho! Onde já se viu uma coisa dessas???

Só podia ser num time que chama Deixa que eu deixo!


Bola na trave não altera o placar...
Bola na área sem ninguém pra cabecear.
Bola na rede pra fazer o gol.
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?



Skank - É Uma Partida de Futebol
[De lei, né?!]

Marina @ 21:46.



Quinta-feira, Novembro 17, 2005

O verão chega. Junto com ele chegam as cores.

O amarelo do sol, o azul do céu, o verde do mar, o branco da espuma, o bege da areia, o vermelho do lenço, o preto do biquíni, o laranja do guarda-sol, o marrom da garrafa de cerveja, o roxo da bola de plástico...

Com as cores, vinha uma alegria diferente. Uma alegria quente, viva, empolgante.

Esperava um ano inteiro por isso. Todo santo ano. E sempre valia a pena.


Can you feel the heat, the heat...
The heat is movin' through your body
Temperature is rising
Can you feel the heat, the heat?



Toni Braxton - The Heat

Marina @ 13:40.



Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Precisava mostrar pro menino o quanto é bom.

Queria pegar a mão dele e levá-lo pra correr descalço na grama molhada. Sentir o vento contra o rosto, a palpitação dentro do peito, o gosto de gotas de suor e chuva.

Abraçar forte, sentir alguém segurar firme a parte de baixo das costas, se arrepiar com o nariz desse mesmo alguém encostando no encontro do pescoço com a orelha...

Queria encher o rapaz cinza da então desconhecida felicidade.

Ela precisava dedilhar seu rosto, fazer carinho no finzinho dos seus cabelos, comprimir com os dois lábios o seu lábio inferior.

Mesmo assim, mesmo com tanta vontade, tinha medo. Muito medo.

Porque sabia que ele ia gostar. Sabia que ele ia gostar tanto a ponto de precisar. Precisar tanto a ponto de não conseguir viver sem. E não sabia por quanto tempo ela quereria proporcionar isso a ele.


A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor.
Brilha tranqüila, depois de leve oscila...
E cai como uma lágrima de amor.



Vinícius de Moraes - Felicidade

Marina @ 23:22.