Terça-feira, Agosto 30, 2005
Por que você está falando isso?
If you ever get close to a human...
Sábado, Agosto 27, 2005
Algumas pessoas participam tão intensamente da nossa vida que é praticamente impossível imaginar como seria viver sem elas.
Para a Irina.
Então venha me dizer...
Terça-feira, Agosto 23, 2005
Não fazia idéia de como um rapaz como ele podia se interessar por ela. Olhava no espelho e não via nada. Talvez uma espinha na bochecha, vez ou outra. Talvez um nariz empinado demais. Mas nada que tivesse graça ou que justificasse os olhos dele brilhando por ela.
All that no-one sees, you see.
Segunda-feira, Agosto 22, 2005
Como vocês todos devem saber, eu fiz curso técnico em Patologia Clínica.
Evidentemente, a mente é como um baú...
Sábado, Agosto 13, 2005
Publicidade é tudo e, disso, todo mundo sabe. "Quem não anuncia, não vende". Essa é uma máxima tão evidente quanto "tempo é dinheiro" no nosso tão estimado sistema capitalista.
Tem rodo, tem barbante...
Sábado, Agosto 06, 2005
O que eu queria mesmo fazer hoje era ir num show cheio de tambores, luz baixa e espaço. Espaço e pessoas legais.
Eu quero um samba pra me aquecer.
Terça-feira, Agosto 02, 2005
Por uns cinco segundos, ela fica quieta, com os olhos fechados, o corpo completamente parado, respiração pausada.
Ela valsando só na madrugada...
Não me conhece. Não se relacionou o bastante comigo pra me conhecer. Não parece interessado em se relacionar o bastante comigo pra me conhecer.
Suas conclusões precipitadas me irritam. Típico de gente imatura.
Não venha com seus juízos de valor, pré-concepções e frases feitas pra cima de mim. Não sou do tipo que agüenta.
Não saberás quem eu sou se souber com quem ando, até porque, ooooh, as aparências realmente enganam.
Já vivi muita coisa, penso muita coisa, passo por muita coisa. Pelo visto, você não sabe "da missa um terço".
Eu sou eu. Só isso e isso tudo.
Não tá disposto? Menos um pra me encher o maldito saco.
And human behaviour...
Be ready to get confused.
Björk - Human Behavior
Agora era fato. Não tinha mais que imaginar. Ela se fora pra nunca mais voltar.
Inacreditável.
Revolta. Tristeza. Saudade. Impotência. Desespero.
Nada de abraços. Nada de risadas. Nada de cumplicidade. Jaz.
O que fazer com as milhares de lembranças? Com as músicas? Com o roxo? Com as expressões características?
Com quem cantar no fim de noite? Com quem dividir os segredos? Pra quem pedir conselhos?
Como dizer o quanto ela era importante? O quanto eu a amava? O quanto ela faz falta?
Volta?
O que será da minha vida sem você.
Noites de frio. Dia não há.
E um mundo estranho pra me segurar.
Lulu Santos - Fullgás
Não fazia sentido. Simplesmente não fazia.
Os opostos se atraem, vai ver é isso, ela pensava.
Era um menino muito bonito. Cabelo bonito. Olho bonito. Corpo bonito. Jeito bonito. Personalidade bonita.
Ele trabalhava no mesmo prédio que ela. Ele no sétimo. Ela no sexto. Eles cruzavam no elevador, bem freqüentemente. Ela fingia que não notava os olhares. Tentava disfarçar a cara corada procurando algo na bolsa.
Os dois nunca haviam trocado uma palavra. Ele sorria. Ela sorria de volta. Sorriso bonito. E eles subiam.
Um dia, ele disse olá. Ela disse oi. Voz bonita. E subiram.
Noutro dia, ele avisou que a blusa dela, amarrada na bolsa, estava arrastando no chão. Ela agradeceu. Atitude bonita. E subiram.
Alguns dias depois, ele perguntou pra que time ela torcia. Ela disse que estava indignada com o Galo. Ele riu. Risada bonita. E subiram.
Ele parou de aparecer. Ela fingiu que não ligou. Fingiu que sabia que nada ia acontecer, mesmo. Fingiu que a tal atração era bobagem da cabeça dela. Até perguntou pro porteiro, displicentemente, o que havia acontecido com o rapaz. Era estágio, respondeu o homem. Ela fingiu que tudo bem.
Por ironia do destino, ela o viu tomando café e lendo um livro, por sinal o seu predileto, numa lanchonete perto do tal prédio, meses depois. Fingiu que não ficou com vergonha e fingiu que não podia perder o ônibus. Foi embora, apressada.
What's inside of me.
Every nerve that hurts you heal.
Deep inside of me.
You don't have to speak - I feel.
Björk - Joga
Pros desavisados, eu sei mexer com bosta, mijo e sangue. Estaria apta a analisar aqueles examezinhos que mamãe obriga[va] vocês a fazer.
Se eu estivesse exercendo a profissão, provavelmente estaria furando braços pelo Brasil afora e torcendo cocôs numa gaze. Coisa bela.
Mas nem era sobre isso que eu queria falar.
A questão aqui é que eu fiz milhares de dezenas de exames de tipo sanguíneo e simplesmente não tenho a mínima idéia de qual seja o meu.
Nós, pra treinar, sentávamos em dupla nas aulas práticas e furávamos os dedos um do outro. Fizeram isso muitas vezes comigo e eu não me lembro do resultado!
É impressionante a capacidade seletiva da nossa memória.
Eu lembro do dia em que um pedaço de prato enfiou no meu pé, mas não consigo me lembrar de um dado que faz parte da minha constituição.
O homem é quem decide o que nele guardar.
Mas a razão prevalece, impõe seus limites.
E ele se permite esquecer de se lembrar...
Lenine - Olho de Peixe
Por essas e outras, é impossível andar pelas ruas das metrópoles sem se deparar com um rio de letras e imagens.
Acontece que nem todo vendedor tem grana pra bancar outdoors gigantes, com modelos bacanas e frases chamativas. Aliás, poucos deles têm. A grande maioria apela logo pros postes.
Esses, coitados, quase não se agüentam de tanto penduricalho. Cartazes colados um em cima do outro, placas de ferro amarradas por arames, armações de madeira encostadas no "rodapé" pra não cair.
Nas minhas andanças por aí, já vi de tudo anunciado. Operador de moto-serra, feiticeira que traz o amor de volta, lavador de carro, cortador de grama, promoção de sex-shop, pintor de muro. Variedade é o que num falta.
Daqui a pouco, neguin vai é comercializar pedaço de poste. Quem é que vai perder tempo procurando coisas nos catálogos telefônicos ou nos classificados do jornal?
Precisou de alguma coisa, volta do trabalho com um papel e uma caneta na mão.
Tem farinha, pedra-pomes...
Prendedô, passadô, escorredô...
Esmalte vermelho.
Ana Carolina - Armazém
Pra gente dançar junto, fazer roda, sorrir e trocar olhares. Bater o pé no chão com força, rodar e pular.
Mexendo como loucos, sem se preocupar se fulano ou ciclano tá achando esquisito.
Porque isso me faz feliz ao extremo.
Dança, de novo? É. É, sim.
Enfadonho? Esse espaço já não tem graça faz tempo.
Quero algo pra beber.
Quero você.
Mombojó - Deixe-se Acreditar
Inspira. Expira. Inspira. Expira. Inspira. Expira. Inspira. Expira. Inspira. Expira.
E levanta. Mexe os dois ombros devagar. Balança a cabeça, ainda com os olhos fechados. E os abre aos poucos. E dança no ritmo. E mexe o quadril.
De repente, não pensa, não se preocupa, não se aborrece. Só sente. E sente.
Se julgando amada, ao som dos bandolins.
Oswaldo Montenegro - Bandolins