Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

Já era noite quando um oficial bateu em minha porta. Entregou-me uma carta, me fez assinar alguns papéis e foi embora sem dar nenhuma explicação. Essas coisas não acontecem todo dia, então já era de se esperar que eu me sentisse intimidada.

Intimada, aliás, pois a carta vinha da delegacia. Era algo sobre o Velho, meu vizinho. O pobre coitado tinha sido impiedosamente assassinado.

Lá fui eu rumo ao antro de crime e bandidagem e, como eu não estou acostumada com isso, fiquei abismada com o local. Imaginava aquelas delegacias dirigidas por xerifes de chapelão e estrela dourada na camisa. Tudo mentira, amiguinhos. Só encontrei gente suada e algumas bichas loucas.

No meu testemunho, disse aos policiais que a única coisa que eu sabia era que o Velhinho passava horas sentado no banco da praça e, invariavelmente, um pombo cagava na cabeça dele. Quando não estava fazendo isso, ficava Deitado em casa. Ninguém estranhava porque todos sabiam que ele tinha cãibras constantes mas não podia comer banana. Alegava que frutas tropicais prendiam o intestino. Essa rotina já vinha perdurando por meses e nada de anormal havia acontecido.

Logo vi que meu depoimento foi inútil e isso me deixou um pouco triste. Gostava tanto daquele senhor que me dava jujubas... Mas a verdade era que eu nunca tinha ouvido falar ou visto o tal de Éricles, principal suspeito. O delegado me consolou dizendo que todos os interrogados também não sabiam de nada relevante...

Era praticamente um caso perdido, mas me conformei. Sabe, esses malucos não precisam de motivo.


At least look at me
when you shoot a bullet
through my head.
Through my head...


John Mayer - Your Body Is a Wonderland

Marina @ 22:22.



Domingo, Fevereiro 27, 2005

Essa é uma história [quase] verídica e os nomes [não] foram alterados[, eu acho]. Sim. Eu sou uma pessoa confusa.


Cleiber é um brasileiro. Desses comuns, mesmo. Talvez a única coisa peculiar nesse rapaz seja a língua levemente presa, o que dá um tom levemente fresco à sua voz. De resto, ele é só mais um no meio da multidão.

Mais um que senta num boteco pra encher a cara e afogar as mágoas. Típico "tá ruim, mas tá bom". E naquele sábado não foi diferente. Uma cervejinha de cá, uma pinguinha acolá, e logo já não se conseguia entender uma palavra que saísse da boca do dito cujo.

Mijou fora do vaso, pisou no pé do companheiro, tentou jogar sinuca, chateou o garçom, falou cuspindo e não pagou a conta. Saiu de lá já de manhã, o infeliz. Mais bêbado que um camelo da Austrália, desiludido, desarticulado, descompassado.

Eis que ele avista uma daquelas igrejas em que ainda se usa exorcizar as pessoas ou algo do tipo. Prato cheio. Ele adentra no recinto justamente no momento do descarrego. As pessoas suam e gritam desesperadamente. Um pobre coitado está sendo beneficiado com a incrível arte de tirar espírito.

_ Sai, Satanás! Sai, Capeta!

Cleiber, sem pensar, grita no corredor:

_ Sair por quê? Acabei de chegar... E vim atrás de você! - aponta pro pastor-pai-de-santo.

A galera pira. Tumulto generalizado. Não sobrou nem uma mosca no templo sagrado. Essas coisas de paranormalidade e afins assustam as pessoas. Expediente perdido para a instituição. "Se ao menos o cabra tivesse chegado depois do recolhimento do dízimo...".

Por outro lado, manhã de sono garantida pras pessoas normais que moram num raio de 1 km da igreja. Algumas delas até acordaram por causa do silêncio incomum. Acharam que estivesse acontecendo algo grave no país ou que a novela das oito estivesse sendo transmitida naquela manhã.

Quanto ao Cleiber, teve seus quinze minutos de fama. Pode morrer tranqüilo e sereno ou então continuar na sua vidinha mais ou menos, não importa. A missão dele na Terra já está cumprida: fazer diferença na vida de alguém.

Aleluia.


Na casa do Senhor,
não existe Satanás.
Xô, Satanás.
Xô, Satanás.


Zeca Baleiro - Flor Da Pele

Marina @ 22:19.



Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

Estou me divertindo muito. Vejo amigos por toda parte. Sinto-me querida. Lugar bonito. Conheço gente nova. Sorrio. Quero nadar. Faz muito calor. Preciso trocar de roupa. "Vem comigo?". "Vou". Subimos a escada. Ele não podia ter subido comigo. Ele mexe com uma garota. Ela chama o irmão. Eles brigam. Meu amigo corre. Eu corro junto. Havia só um caminho. Corro por ele. Era estreito demais. Estava quase chegando. Tropeço no final. Caio. Não queria morrer assim tão cedo por um motivo tão imbecil. Fim.

When she woke in the morning...
She knew that her life has passed her by.
And she called out a warning...
Don't ever let life pass you by.


Caetano Veloso - Carolina

Marina @ 12:54.



Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

MÊta

Mete o dedo na banana!
GO! GO! GO!


_ Doutor, tenho cãibras todos os dias. O que eu faço?
_ Come banana. Ajuda.
_ Mas... Mas... Banana prende meu intestino.
_ Here we go...


Diálogos *Mágicos* aqui.

Lulu Santos - Tempos Modernos

Marina @ 22:44.



Domingo, Fevereiro 20, 2005

Eu sempre contava uma piadinha tosca quando eu era, er, menor.

Era algo sobre a Magali dizendo pra Mônica não subir na árvore porque os meninos olhariam pra calcinha dela. E a Mônica, serelepe, retrucava dizendo que não estava usando uma, anyway.

Sempre gostei das revistinhas da Turma da Mônica. Gosto do Cebolinha nas revistinhas da Mônica, do Cascão nas do Cebolinha, da Magali nas dela mesmo.

O legal das histórias é que são simples. Às vezes, tão simples que são idiotas. E coisas idiotas são legais. Vai ver é por isso que os adultos se divertem tanto com produções para crianças.

Mas se tem uma coisa que eu nunca consegui entender é por que diabos a Mônica é chamada de baixinha e gorducha sendo que ela tem as mesmas proporções dos outros personagens.

Sabe, não gosto de críticas infundadas. Quer chamar a menina de dentuça, vá lá. Tome suas coelhadas sem remorso. Agora, que graça tem caçoar de uma pessoa sem condizer com a realidade?

Tem um nome, isso. Falta de criatividade.

Se eu fosse o Cebolinha, chamava a Mônica de cabelo de banana.

Tá, vai. Isso nem foi criativo. Mas que é melhor que baixinha, ah, isso é.

E tenho dito!


E a barata comeu meu chocolate.
Tomô o meu suquinho.
E correu pra casa dela.
Sai daqui, barata malandra.
Sai daqui, barata gordinha.



Dave Mathews Band - If I Had It All

Marina @ 17:17.



Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005

Lino era uma gosma verde e... Er... Melequenta.

À primeira vista, todos tinham nojo do pequeno Lino. Ele não sabia porque, mas os seres humanos repugnavam coisas verdes e... Er... Melequentas.

À segunda vista, era diferente. Quem o conhecia de verdade podia notar que o bichinho era porreta. Além de ser super bem humorado, ele conseguia se transformar em várias outras coisas: fantasminha, monstrinho e balão [!], por exemplo.

Demais, esse Lino.

Pena que poucos o conheciam. Na verdade, só eu. Afinal, sabe como é, "a primeira impressão é a que fica".


É coisa de maluco,
é o maior nojo,
encontrar um cabelinho
num prato de miojo.


The Strokes - What Ever Happened

Marina @ 16:00.



Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

Os simplificadores não desapareceram no século 21. Como no passado, eles operam por meio do que poderíamos chamar de a distorção holística, a tendência a ver o todo como um conjunto indiferenciado, sem perceber que qualquer totalidade é tensa, que qualquer harmonia é aparente, que todo conjunto é fraturado por forças contraditórias.

É preciso opor a esses simplificadores o que [o filósofo francês] Edgar Morin chama de "pensamento complexo" [...]

ROUANET, Sérgio Paulo. "Os terríveis simplificadores", Folha de S. Paulo, 04/01/04.


Enquanto uns dizem que as pessoas complicam demais as coisas, outros dizem que simplificam. É certo que nenhuma das duas afirmações estão completamente erradas, o que só comprova que "todo conjunto é fraturado por forças contraditórias".

O fato é que eu me preocupo mais com aquelas que simplificam. Porque, na maioria das vezes, elas não fazem isso por inteligência ou por escolha consciente. Simplificam porque é menos doloroso. Porque têm preguiça de questionar. Porque têm medo de mudar. Porque se iludem com a visão maniqueísta que a tevê, o faz-de-conta, as doutrinas insistem em transmitir. Porque são cômodas. Acomodadas. Medíocres.

Isso sim me incomoda. Isso sim me dá vontade de bater na cara das pessoas. Isso sim me dá uma leve fincada no coração.

Sim, meus caros. A vida realmente não é simples como ela não parece ser. Vamos conviver com isso da melhor maneira possível e, de preferência, utilizando essa coisinha que Deus pôs dentro do nosso crânio.


Obrigada, prova de Geografia da Federal.

Should I apologize...
If what I say burns your ears and stains your eyes?
Oh, did I crack your shell?
When it falls away, you'll see we exist as well!


System Of A Down - Inner Vision

Marina @ 01:55.



Sábado, Fevereiro 12, 2005

Isso aqui agora se chama "Uaaai?!".

Só "Uaaai?!"


The world's a roller coaster...
And I am not strapped in.
Maybe I should hold with care,
but my hands are busy in the air...


Incubus - Wish You Were Here

Marina @ 17:31.



Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005

AVISO: Esse texto não é recomendado para gestantes, hiper-tensos, frescos e homens/meninos que acham/querem acreditar que mulheres/meninas não cagam/tiram meleca do nariz/arrotam/vivem.


Troninho De Confiança


Algumas pessoas simplesmente não entendem porquê eu prefiro cagar no banheiro da minha mãe. O motivo é muito simples: prisão de ventre.

Quem compartilha dessa doença deve me entender. Para pessoas como nós, o ato de fazer cocô não é encarado com tanta naturalidade e displicência. A gente se preocupa.

Explico melhor: quem tem intestino preso, precisa de confiança na hora de defecar. Não pode se preocupar se a bosta vai agarrar no fundo, se o vaso vai entupir, se a tampa tá molhada de xixi. Qualquer coisinha errada e PIMBA! Trava tudo.

O quesito "privada" é essencial. Tudo conta: a descarga tem de ser potente e eficiente; o buraco lá de baixo tem de ser largo; o formato tem que encaixar legal no bumbum.

Outra parte importante é a infra-estrutura e localização do banheiro. O lugar tem de ser arejado e limpo, de preferência, de modo a não acumular cheiros; tem de ser um pouco isolado, afinal, a presença de pessoas por perto causa angústia; não pode faltar papel higiênico; rótulos de xampus e afins, assim como granito, têm de estar à disposição, pra passar o tempo e tal.

Um fator que conta também é o tempo. Nesse caso, o banheiro não pode ser o único da casa para evitar os contra-tempos.

O conjunto todo okay faz com que o cagante e o banheiro tenham uma sintonia que é indispensável. E o fato é que o da minha mãe reúne todas as qualidades.

Felizes são aqueles que encontram o lugar perfeito.


Cagar é uma arte profunda.
O cocô bate na água...
A água bate na bunda.


Incubus - Deep Inside

Marina @ 23:26.



Terça-feira, Fevereiro 08, 2005

Já que é carnaval e eu adoro clichês...


De Ladinho


Eu sou um caranguejinho
E é de ladinho que eu me movo [2x]

Vou invadir sua praia
Vou cavar um buraquinho
De vez em quando eu vou pra água
Molhar o meu corpinho [2x]

Me protejo bem
Com a quitina grossa
Mas o homem vem
E me tira da poça [2x]

Na praia eu tô... No mangue eu tô... Na areia eu tô... Na areia eu tô... Na areia eu tô... Ô ô, ô ô, ô ô... [Repeat till fade]

***

Eu sou uma mistura de Ivete Sangalo com Casseta e Planeta.

Okay, pode atirar em mim.


Eu não quero mais chorar...
Por causa de um amor qualquer.
Minha dor tem que acabar...
No carnaval, se Deus quiser.


Tom Jobim - Eu Sei Que Vou Te Amar

Marina @ 20:00.



Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

Escrevo pra tentar justificar essa tristeza. Tristeza de incompreensão. De fraqueza. De incompetência. De impotência. De merda. Porque, quem sabe, escrevendo eu consiga dividir. Dividir é difícil, afinal, outra pessoa tem que querer metade. Só um amigo pega essa metade e toma como se fosse dele. Divide, de fato. Eu quero seu amor de amigo. Mas entendo que você não possa me dar isso. As coisas não acontecem do jeito que a gente quer, na maioria massacrante das vezes. E nem sempre a gente pode dar o que querem de nós. Eu não posso te dar o amor que você quer. Não posso não porque não quero. Não posso. E amo. Amo muito. De um outro jeito. E isso corta meu coração porque sei que corta o seu. E me faz querer te abraçar forte. Te segurar como filho. Te impedir de sofrer. Mas não posso. Não posso.


Adeus, você.
Eu hoje vou pro lado de lá.
Estou levando tudo de mim...
Que é pra não ter razão pra chorar.
Vê se te alimenta e não pensa
que eu fui por não te amar.



Los Hermanos - Adeus Você

Marina @ 15:32.



Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

Instrução é a Salvação


O homem evolui e evolui. Vemos os computadores ficarem cada vez menores e a mecanização tomar conta de tudo e todos. Mesmo assim, tem nêgo que insiste em ser extremamente burro e atrasado.

Pelamordedeus.

Será que ninguém percebe que se deve primeiro adicionar o açúcar na água antes do suco?

Todos deveriam ter o mínimo de noção de química, matemática, astronomia e afins. Se não for pedir demais, quem sabe, um pouco de bom-senso também. Juro que não dói.


Batatinha quando nasce,
se esparrama pelo chão.
Mamãezinha quando dorme,
põe a mão no coração.



Davi Mateus - Proudest Monkey, de novo

Marina @ 14:22.