Domingo, Janeiro 30, 2005

Às vezes...


Ela se sente sozinha, mesmo se vendo cercada por várias pessoas que adora. Ela não se sente querida, mesmo que os outros tentem provar o contrário. Ela briga com o espelho, mesmo não achando o que ele reflete tão importante. Ela se machuca com coisas pequenas, mesmo que não demonstre. Ela chora e tenta esconder, por mais que seu rosto registre o ato impiedosamente.

Só às vezes.

Porque ela também se sente no direito. E porque, afinal de contas, ela tem um humor de montanha-russa.


Deixei o barco correr...
Vi a sorte ancorada.
Ela na calçada de um lugar...
Que nunca fui...
Para não chorar.



Lá também.


Alguma música instrumental lenta

Marina @ 19:45.



Sexta-feira, Janeiro 28, 2005

Bullshit


É tão engraçado como as pessoas têm medo de dizer que são falsas... Tomam isso como uma ofensa-mor, quase. Acontece que os mais verdadeiros são, de fato, aqueles que não negam que mentem.

Não é difícil perceber os exemplos de falsidade que precisam e são utilizados no dia-a-dia, até. O próprio "agir com educação" é falsidade purinha. E quem não gosta de ser chamado de educado? É quase um elogio-mor!

O mundo é feito dessas contradições. Os irônicos/sarcásticos, por exemplo, são geralmente inteligentes e interessantes. Já vi gente dizer que ama o Veríssimo o "odeia falsidade". Falta de perspicácia danada.

Aliás, essa frase pode ser vista e ouvida em tudo quanto é canto. Virou até moda, eu diria. O negócio tá quase tão generalizado quanto acreditar em Deus. Nêgo pergunta:

_ De que você não gosta?

E fulano responde:

_ Ah... Odeio jiló, Charlie Brown Jr. e... Ahm... Vejamos... Claro! Falsidade!

Bã, bã, bullshit. Conta outra, vai...

Saiam do armário logo e digam:
Eu sou falsa (o)!


O interessante é que se eu sou falsa e digo que sou falsa, isso pode ser uma falsidade. Aliás, tudo que eu disse pode ser uma puta duma mentira deslavada. Ou não! Ai! Como eu adoro isso...


I don't wanna talk to you anymore.
I'm afraid of what I might say.
I bite my tongue...
Everytime you come around.
Cause blood in my mouth beats...
Blood on the ground.


Incubus - Blood On The Ground



Quinta-feira, Janeiro 27, 2005

Blá, Blá, Blá


As palavras, por si só, carregam um peso, às vezes enorme, com elas.

Por exemplo, o simples fato de eu dizer "punheta" aqui poderia acarretar conseqüências escabrosas. O BloggerMan, sentindo o cheiro de pornografia, viria correndo e, sem ao menos ler o post, deletaria este humilde Blog.

E não são só os palavrões na boca da menininha de um metro e meio que causam impacto.

Deus. Amor. Pênis. Demônio. Namoro. Morte.

Todas elas e mais um caminhão delas já vêm com todo o pacote de significados implícitos. E é difícil perceber que elas são só palavras e que podem ser usadas sem propósito.

Muitas vezes, por isso, me sinto incompreendida.

PS.: Se você chegou aqui pelo Google procurando por sacanagem, existe o botão "voltar" ali em cima. Ele tem uma setinha e tudo. Mas, dependendo do que "sacanagem" significa pra você, bem-vindo. Puxa um banquinho e fica à vontade.


Palavras apenas.
Palavras pequenas.
Palavras momento.


O Rappa - Papo De Surdo e Mudo


EXTRA! EXTRA!



Ajude três almas desesperadas!
Qualquer informação é importante!

Gratas,

Eu,
Karla e Julles.



Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

Os "Pega-Fala"s


Marina, alegre e saltitante, entra na sala. Lá estão sua mãe e seu pai. Ela lê o jornal tranqüilamente, enquanto ele faz massagem em sua joanete inflamada.

Decidida, Marina diz:

_ Mãe! Pai! Eu tenho um Blog!

A mãe, dando de ombros, responde:

_ Bloguuuuda...

O pai, com um sorrisinho no canto da boca, solta:

_ Do naaaaada...

Marina não acredita no que vê/ouve. E diz com os olhos arregalados:

_ Uaaaaaaai... Kê kê iiiiiiiiiiiiiisso, gente?!


Pai e Mãe...
Ouro de mina.
Coração...
Desejo e sina.
Tudo o mais...
Pura rotina, jazz!


Coldplay - Everything's Not Lost

Marina @ 11:23.



Domingo, Janeiro 23, 2005

Os olhos se fecham...


Lá está ela em seu "carro sem-teto". O vento insiste em bagunçar seus cabelos cacheados, mas ela não liga. Até gosta de vê-los rebeldes. Livres. Soltos.

Também estão no carro, três de seus melhores amigos. Os quatro cantam juntos, acompanhando cada música do CD que, coincidentemente ou não, era o predileto de todos eles.

O sol toca o horizonte retilíneo. A paisagem é tão plana que, ali, é possível duvidar que a Terra é de fato redonda. É uma tarde multicolorida, daquelas em que cada canto do céu é belo de um jeito só seu.

Estão a caminho de um lugar desconhecido e o sentimento de liberdade enche os quatro corpos jovens. De tempo em tempo, eles se entreolham, sorriem e cantam ainda mais alto, como se aquele fosse o momento mais feliz de suas vidas.

Talvez até não fosse o mais feliz, mas isso não importa. Viver ali, agora, era bom demais. Simplesmente, não se preocupavam, mesmo sabendo que a qualquer instante, os olhos voltariam a se abrir.


Today, skies are painted...
Colors of a cowboy cliche'.
Didn't have a camera by
my side this time.
Hoping I would see the world
through both my eyes.
Maybe I will tell you all about it
when I'm in the mood to lose my way...
But let me say:
You should have seen that sunrise
with your own eyes.
It brought me back to life...
You'll be with me next time I go outside!
No more 3x5's.


John Mayer - 3x5

Marina @ 09:39.



Domingo, Janeiro 16, 2005

Amizade


Amigo amigo. Amigo choro. Amigo silêncio. Amigo abraço. Amigo carinho. Amigo compreensão. Amigo papo. Amigo risada. Amigo chuva. Amigo mato. Amigo companhia. Amigo amor. Amigo amigo.


Amigo é coisa pra se guardar...
No lado esquerdo do peito.
Mesmo que o tempo e a distância...
Digam não.
Mesmo esquecendo a canção.


Coldplay - See You Soon

Marina @ 18:41.



Quinta-feira, Janeiro 13, 2005

Com a mão encharcada de suor, ele tenta arrancar os espinhos da rosa. Não queria que ela se machucasse. Escolhera uma amarela, porque achava que a cor combinava com a moça. Não sabia por quê. Simplesmente sentia. Assim como sentia que ela era especial. Via nela uma beleza diferente. Era como se um brilho contornasse seu corpo. Seu cheiro era sutil e discreto, nada parecido com os que ele estava acostumado a sentir. A diferença o atraía muito. Inexplicavelmente, muito. Ela passava por ele todos os dias. Só se entreolhavam. Às vezes, ele até achava que ela sorria em sua direção. Hoje, estava ali. Sentado, segurando uma rosa amarela. Queria entregá-la mais que tudo. Sabia que tinha que fazê-lo. Queria conhecê-la. Tinha de conhecê-la. Queria sentir o cheiro de perto. Só não sabia como.

O que ele não sabia, também, era que, justamente nesse dia, a moça acordara com vontade de mudar. E vestira uma camiseta amarela antes de sair de casa.


When she woke in the morning...
She knew that her life has passed her by.
And she called out a warning:
Don't ever let life pass you by.


Cordel Do Fogo Encantado - Os Oim Do Meu Amor

Marina @ 15:53.



Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

Fadiga


Nunca mais escrevo nada.


Ora bolas, não me amole...
Com esse papo de emprego.
Não tá vendo? Não tô nessa.
E o que eu quero é sossego.


Incubus - Aqueous Transmission

Marina @ 11:20.



Sexta-feira, Janeiro 07, 2005

Criatividade Sem Fronteiras


Adoro mexer com massinha de modelar.

Tenho, exposta em meu quarto, uma cabeça de um cara, que confeccionei na sala de aula do segundo ano do ensino médio, com o auxílio de Paolo, meu eterno companheiro.

O maluco é verde, cabelo moicano e cavanhaque amarelos com as pontas vermelhas. Ele tem um alargador na orelha direita e um piercing no nariz, feito de grafite de lapiseira. Bem estiloso. Se fosse vivo, aposto que seria gente boa. Ou não. Teria grandes chances de ser um daqueles metaleiros chatos.

Acabo de perceber que ele não tem um nome. Fato curioso, porque eu, normalmente, batizo essas coisas. Vai ver ele tem um nome e esqueci.

Anyway, disse isso só para frisar a qualidade da massinha que foi utilizada para a criação desse caboclo doidão. Já se passaram quase dois anos e ela está intacta! Não ressecou, não amassou, não entrou em decomposição. Coisa fantástica! Se tivesse em mãos a embalagem, não estaria escrevendo isso e sim um e-mail parabenizando a empresa pelo compromisso que ela tem com o cliente.

Enfim...

Neste exato momento, além de escrever aqui, estou brincando com massinhas.

Amarela. Vermelha. Verde. Azul. Marrom. Branca.

Não tenho a mínima idéia do que fazer com elas, o que também é curioso. Já fiz um ovo frito e um tomate. Desmanchei. Agora estou só amassando-as e, com isso, evitando a futura L.E.R. que terei nas mãos por causa desse maldito computador.

Essas massinhas têm um cheiro particularmente bom. Cheiro de chiclete. Isso é perigoso, pois confunde a cabeça das pobres criancinhas. Eu mesmo já tive vontade de provar um pedaço da vermelha. Vai ver é porque gosto mais das balas e chicletes de sabor morango.

Não resisti. Acabo de levar a vermelha à boca.

Blécati! Me enganaram! A desgramenta é salgada!

Esses não me escapam. Guardei a caixinha.


Numa folha qualquer
eu desenho um sol amarelo...
E com cincos ou seis retas
é fácil fazer um casté-elo...


Dave Matthews Band - Crash

Marina @ 16:44.



Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

Chuva


As nuvens, cinzas e macias, se encontram...
Choque.

O pingo, na poça d'água, se atira...
Ploc.

A mão quente, no vidro frio, encosta...
Toque.

E ouço.

E vejo.

E espero.

E espero...

Ploc. Plec. Ploc. Ploc. Plac. Ploc. Pluc. Pluc. Ploc. Plic. Ploc. Plic. Plic. Plic. Ploc. Plac. Ploc. Ploc. Ploc. Plec. Ploc. Ploc. Plac. Ploc. Plic. Plec. Ploc. Ploc. Ploc. Pluc. Ploc. Pluc. Plic. Ploc. Ploc. Plic. Ploc. Ploc. Ploc. Plac. Ploc... Ploc... Ploc...


Que saudades, sentimentos...
E vontade de ter você aqui.
Quando a chuva cair.
Ou uma flor se abrir...



Casaca - Sabrina

Marina @ 12:05.



Domingo, Janeiro 02, 2005

Co.nhe.cer vtd 1 Ter noção, conhecimento, idéia ou informação. vtd + vpr 2 Ter relações com. vtd 3 Ser versado em. 4 Ter experiência de. 5 Reconhecer. vpr 6 Ter idéia da própria capacidade.



Tecnologia Sem Fronteiras

Quer se informar sobre o maremoto que aconteceu no Cafundó do Judas?
Tem como.

Quer descobrir o nome do fulano que participou da Revolução de Num-Sei-Aonde?
Tem como.

Quer saber o que aconteceu com a capivara preta do sertão?
Tem como.

Quer conhecer gente da sua idade, do sexo oposto, que esteja interessado na mesma banda que você?
Tem como.

Quer descobrir como funcionam os tornos e como eles representam perigo para os operários?
Tem como.

Quer descobrir a espécie de formiga que ronda seu quarto?
Tem como.

Pena que ainda não inventaram e nem publicaram na Internet um manual sobre a "Arte de Conviver".
Pelo menos, não um que fosse decente.


Intertextualidade

Teu boletim metereológico
me diz aqui e agora
se chove ou se faz sol.
Para que ir lá fora?
A comida suculenta
que pões à minha frente
como-a toda com os olhos.
Aposentei os dentes.
Nos dramalhões que encenas
há tamanho poder
de vida que eu próprio
nem me canso em viver.
Guerra, sexo, esporte
- me dás tudo, tudo.
Vou pregar minha porta:
já não preciso do mundo.

PAES, José Paulo. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p. 71


T.V., what do I need?
Tell me who to believe!
What's the use of autonomy
when a button does it all?



Incubus - Idiot Box

Marina @ 15:18.