Quinta-feira, Novembro 12, 2009

eles passarão, eu passarinho

Da janela de uma casa sem paredes, vê-se uma árvore e seus pássaros, ressoando nos escombros do que costumava ser um quintal. A garagem ainda avisa que está em uso, mesmo que não haja ninguém para estacionar por ali, a não ser as máquinas e os catadores de papel e sucata. O comum agora são os tratores e os homens de capacete, destruindo e construindo tão rápido que a paisagem de um dia não é a mesma de outro, apesar de ser tudo parecido. Em tons de marrom e cinza, o quarto, a sala e a cozinha. E se essa casa fosse minha?

Avenida Antônio Carlos, 25 de agosto de 2009

Marina @ 11:52.



Terça-feira, Setembro 08, 2009

mono silábica grafia engasgada esterilizada
estéril encurvo murmuro movimento preso sentada
mute som silenciado confunde desejos conexões
compasso apressado ponteiro olhares solidão
branco cinza preto azul brilhante
tontura giratória longe pula
volto respiração
estereo
mó nó
mono
grafo

Marina @ 22:08.



Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Caminho em ruínas de um tempo que ainda não passou. Tudo em volta se desfazendo tão rápido quanto quando formado. O concreto se rompendo no aço, poeira no ar. Fragmentos transformados em morros aplainados para passarmos. Passamos por cima e isso basta. Como se bastasse!

Ruínas de vida para abrir o caminho. Memórias que se escondem em lugares que não vemos, em pessoas que não percebemos, porque passamos, num passo de tempo apressado. Sentimos e ouvimos notícias de outros ontens, resquícios do que havia. Tudo que víamos agora não é mais, é outra coisa, e não estranhamos. Como se não fôssemos estranhos!

Caminhamos mais rápidos do que nossos passos, que já não cabem no tempo para transpor o caminho. Somos tantos e estamos em tantos lugares que nossos corpos se encontram em si mesmos e em outros apenas quando convêm. Definimos nosso tempo pelo que foi definido por outro, alguém indefinido. E todo o espaço que ocupamos parece obedecer, como se não parássemos!

As memórias dos que pararam, dos que antes ficaram, não são concretas, então, como se não existissem, viram passado. Embaixo do caminho, não vemos, não sentimos, não estranhamos. Dentro da nossa definição, talvez seja isso que buscamos. Como se não passássemos!

Pra Antônio Carlos,
luminosa linha eterna
(não mais) cercada de árvores.

Marina @ 01:30.



Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Quando eu queria ter um caderninho em branco pra escrever, eu não tinha. Fiquei pensando e perdi tantas coisas... É sempre assim. E me canso, sabe?! Não que se eu rabiscasse tudo se resolveria, mas ajudava. O bom é que eu ainda venho aqui... Escrevo errado, corrijo, reescrevo, remonto e é interessante, porque não tenho que pegar e guardar... Tá tudo aqui, no MUNDO.

Marina @ 01:50.



Quarta-feira, Julho 01, 2009

De novo numa mesa de bar ouvindo as músicas inéditas mais repetidas de todos os tempos. A boca beija o copo de cerveja sem espuma e os olhos encurtam com o amargo quente. Vários ao redor vivendo seus casos apáticos e destemperados. A paciência anda em falta e já não é de hoje. Há certa ansiedade, na falta de nome melhor pro incômodo nas entranhas. Finjo que são gases e não me canso de pedir as saideiras.

Marina @ 02:05.



Segunda-feira, Junho 29, 2009

Continuo querendo idéias acentuadas...

Marina @ 14:53.



Quarta-feira, Maio 20, 2009

seria bom se
toda vez que ele subisse em uma rede
se lembrasse de mim
mesmo que eu não soubesse

fico brincando de pensar

Marina @ 00:27.



Terça-feira, Maio 12, 2009

Sonhei que estava em uma cidade verde. Chovia, as ruas viravam toboáguas e as pessoas, com suas roupas molhadas, iam e vinham livremente de uma árvore à outra. Em um relâmpago, uma trovoada anunciava que a nuvem já passara e a terra sugava a água sedenta. Em pouco tempo tudo era úmido, desenxarcado. O calor fazia tudo se desenroscar mais rápido e crescer. Muitas vidas crescendo e trocando até acordar.

Marina @ 18:27.



Quinta-feira, Abril 16, 2009

gosto quando o silêncio acontece
mesmo que povoado
pelo zunido do barulho antecedente
pelos cães de longe
por alguém gritando um choro
por algum movimento estranho dentro de mim
pelo roçado da pele no lençol
e zás.

Marina @ 02:21.





Senti o cheiro em mim de tempos atrás e lembrei de como eu era então... vagamente. Sei que ventava. Talvez por isso sentia meu próprio cheiro. Mentira. Eu quase sempre sinto meu cheiro, mesmo que não vente. É divertido procurar. Sei que as coisas eram novas e o cheiro era novo também. Depois parou. Não sei bem quando. As lembranças que vêm dos cheiros são as mais lindas... as mais vagas e mais lindas.

Marina @ 02:15.





lá no fundo,
minha boca anda amarga
parece que ninguém entende
o que sai dela
do jeito que sai
pouca gente compreende o amargo

Marina @ 02:12.



Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Se até as coisas mais concretas diretas e retas são efêmeras, com aquelas tortas invisíveis e sensíveis não poderia ser diferente. Muitos fingem indiferença, alguns são indiferentes de fato, mas eu não consigo ser. Meus olhos piscam mais lentos que a rapidez das coisas que vêm e vão como se ninguém ligasse. De repente eu pisco e puft! Já era e nem uma alma viva viu ou sequer quis ver. Desapego é importante, eu sei, mas meu coração sofre, porra. E sofre devagar. Mesmo sabendo que tudo se move em círculos. Um dia volta, um dia passa, tal e coisa.

Esse blog se foi e eu achei muito paia. Senti coisas estranhas e percebi que ele é mais importante do que eu pensava. E mais efêmero também. Não que eu já não soubesse disso, afinal, quer coisa mais abstrata que o mundo virtual? Enfim, ele renasceu das cinzas. E que dure enquanto durar.

Marina @ 20:54.



Quinta-feira, Outubro 30, 2008

Cabô o mi, cabô a pipoca?

Marina @ 23:43.



Sábado, Outubro 04, 2008

Caminho em ruínas de um tempo que ainda não passou. Tudo em volta se desfazendo tão rápido quanto quando formado. O concreto se rompendo no aço, poeira no ar. Fragmentos transformados em morros aplainados que ninguém vê ou sente. Passamos por cima e isso basta. Como se bastasse!

Marina @ 11:27.



Terça-feira, Setembro 30, 2008

É tanto que eu quero dormir dentro da sua camiseta.

Marina @ 23:18.



Sábado, Setembro 13, 2008

Ver tudo com olhos de primeira vez, que pingam e se entregam. Viver o sempre como nunca. Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Entender como quem não entende, saber como quem não sabe, ensinar como quem não ensina. E como entende... E como sabe... E como ensina... Querer mais, sempre mais, mas mais melhor, e buscar e buscar e buscar, como quem viaja...

Marina @ 17:47.



Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Como se livrar deste mundo? Esquecer as formas todas, de dentro e de fora, para poder moldar de novo, talvez mais colorido e indefinido, ou não, ou outra coisa qualquer que não conseguimos sequer imaginar? Como viver este mundo sem que ele apareça o tempo todo como um tempo determinado, sempre insuficiente, sempre agilizado e utilizado?

Marina @ 16:48.



Terça-feira, Setembro 09, 2008

Não sou só como você me vê de olhos tortos e acha que é tudo.

Marina @ 01:05.



Terça-feira, Agosto 12, 2008

Espectros de azul e vermelho que se confundem. As pessoas lêem vermelho, quando o que ela quer é destilar azul e verde de esperança. Luzes de furtar cores das mais diferentes intensões saem da alma dela, que por si só já é confusa. Difícil de ler e entender. E ela não hesita em escrever suas linhas meio tortas pelo mundo, confundindo as cabeças sem querer querendo, querendo sem querer. Não é de indecisão e aí é que está. É de decisão decidida por calor, por choque de átomos, implosões e explosões desmedidas. Insiste em acreditar que a culpa é do mundo de ilusões, de iludidas impressões, imprimidas sensações previsíveis. E segue sendo desmedida numa pequena grande medida, de grosseria fina, falando como se vomitasse as cores, o asco, as borboletas. Poderia ser uma letra, mas são várias misturadas.

ela é chegada em azedo e amargo
leite com sal e outros bodes
se ela fosse planta seria a comigo-ninguém-pode
em seus cabelos a curva da fita
prende a flor da madrugada
mas nas unhas se vê o quanto é aflita, invocada

Marina @ 01:30.



Terça-feira, Agosto 05, 2008

Laranjas, amarelo, azul e nós dois na gangorra, pra cima e pra baixo, alternadamente. Havia lágrimas de palavras não ditas em meus olhos, prontas pra cair junto com as letras quando descessem e já não desse. Antes de descermos, alguns olhares trocados com sorrisos de compreensão, como antes. Um pouco antes de não sermos mais durante. Imagens da vida que imaginei pra você sem mim ainda cortavam o que realmente via. Você, aquele mesmo um pouco diferente porque não me tinha nos olhos. Não tinha sequer lágrimas de palavras não ditas e isso eu estranhava. Talvez houvesse as outras que eu imaginava. Não saberia, as palavras não ditas continuaram assim, dentro de você, dentro de mim. Descemos em dois saltos, joelhos e cotovelos na areia se cruzando em um abraço que finalmente dispensava palavras antigas, de coisas antigas, e soube que era pra sempre, o que quer que fosse, mesmo que fosse só n'eu.

seus olhos querem fugir de mim
mas o mundo é tão pequeno
fatalmente vai me ver passar
posso até querer te falar como estou
mas não vou
prefiro ficar mudo
e deixar a dor sangrar
em mim

Marina @ 23:25.