Uaaai?!


Caminho de casa, asfalto pelando, mil coisas na cabeça e os neurônios tentando ordená-las... Muitos passando em suas bolhas climatizadas de metal, provavelmente contentes ou nem isso, e o tal cidadão instigado cutucando: "pra que tanta indecisão se o sol está aí para nos assar"? E aqui o sol parece estar mais perto...

Enquanto eu conseguir sentir a brisa, ver o mato vencendo o concreto, a moça perfumada atravessando e os trabalhadores parando um segundo... Enquanto puder perceber, caminhar, sentir, gritar que a rua não está morta e que não podem matá-la... Enquanto ainda posso escrever sem me preocupar com o que querem ler...

Novembro 7, 2011 @ 19:00.



me deixa
com minha mineirice
na minha mesmice
quando eu cismar
e ensimesmar

Outubro 3, 2011 @ 23:00.



Um passarinho quer sempre alçar vôo, explorar os acasos do mundo desconhecido. É mais forte do que se pode entender, é natureza. Olhar curioso, de um lado e de outro, procurar um pouco em cada janela, bicar os sabores de várias sementes, ver tudo pequeno lá de cima, passarinhar as passarinhas... Talvez até queira, lá no fundo, aninhar-se, mas não há de querer se engaiolar.

Agosto 2, 2011 @ 00:29.



É como se de alguma forma eu já soubesse, ali olhando pra areia indo e vindo e afundando meus pezinhos, que eu ia voltar. A sensação de que o momento seria breve e acabaria me amontanhando de novo. Passado e presente se misturando num pressentimento sendo sentido. A máquina do tempo de nossas cabeças, mexendo o tempo como as ondas mexem o mar.

Julho 7, 2011 @ 01:38.



É que provavelmente há mesmo dez mulheres pra cada homem, com papos de signo, etcétera e tal. Vozes agudas de cutucar o juízo, flores no cabelo, batom vermelho, olhar penetrante... Daquele tipo que gosta e de repente já quase nem gosta mais. Difícil simples tão fácil tão grande tão importante... Uma palavra, palavras e nada nada. Acho que entendo. Realmente, haja pique. Não precisa ficar, afinal, deve haver uma transa qualquer no escuro do futuro disco voador.

É sim da maior importância.

Julho 6, 2011 @ 20:42.



Hesitei bastante em escrever de novo, um pouco porque quando a gente materializa a coisa, vê aqui as letrinhas na página em branco, lê e relê, com o tempo passando, parece que tudo foi exagerado e desnecessário, não passou de muita exposição por nada e de um tanto de clichê batido.

Acontece que inevitavelmente eu sou assim mesmo. Preciso escrever, porque me ajuda a elaborar, a lidar com os nós no meu estômago, com as lágrimas emboladas na garganta. Ao mesmo tempo, foi e é difícil pra mim me expor, mostrar o que sinto, organizar e verbalizar meus pensamentos confusos... E tem hora que não alivia, o embrulho só aumenta. Na maioria das vezes não consigo remeter e fica tudo por aí...

Escrever é masoquismo.

Junho 21, 2011 @ 14:52.



O vazio num bloco de notas e a caneta na mão. Melhor: a caneta girando nos dedos, levando a tampa pros dentes nervosos, e o olhar perdido procurando um foco. Cores, movimentos, quase sempre bruscos, dançando em volta. A respiração, inspiração para trazer o sentido pra dentro, organizar as idéias e expirá-las em palavras mudas, riscadas, encaixadas por um fio de cognição. Uma viagem que não pode ser solitária, pra que não se perca (n)o caminho, as direções. A caneta finalmente encosta e encontra seu papel...

Maio 31, 2011 @ 22:18.



escrever
l.e.r.
pulso
com
puta
dor

Maio 24, 2011 @ 18:27.



rabisco um risco
arriscado
siricutico
corro arisco
rapidin que nem chuvisco
me belisco
no emaranhado do visgo
ali fico
arriado
feito um cisco

travessura de corisco

Maio 4, 2011 @ 20:39.



As unhas compridas, o batom vermelho nos lábios, a força das coxas não bastaram para te marcar, não conseguiram te prender. Resta confiar no perfume constante do sabonete e pele, na praga de que ele vai impregnar nas narinas e na memória, até quando eu não mais estiver...

Março 16, 2011 @ 19:08.



provar
sentir o gôsto
dizer que gósto
sem precisar
sem precisar provar

Março 1, 2011 @ 01:43.



Não quero saber das nóias, neuras, picuinhas. Desembolar as fitas e resolver as tretas na manha, no bom senso, sem fritar e esquentar a mente. Ser mansa sem a folga, na alta, longe da pregaiagem. Desvencilhar dos caguetes, dos tirados e dos panguas, sem precisar dar o grito, na miúda. Fortalecer a broderrude, a disposição e culundriar pelo bem com os de ben. Dar moral pra quem dá valor e nos vice-versas. Abstrair os indiferentes. Botar fé nos novos ares, nas outras direções que não têm a pretensão de direcionar. Praticar o desapego para quando as energias precisarem se renovar. E seguir seguindo... Saravá!

Fevereiro 10, 2011 @ 01:30.



Cantar baixinho no pescoço e tocar os acordes em seus pêlos
pra ver de perto os contornos das células epiteliais se aconchegando na melodia...

Janeiro 26, 2011 @ 02:35.



Se viu vestida em um uniforme quando tudo que sempre menos quis foi ser assim, uniforme. Pior era não conseguir se lembrar do momento em que deixou isso acontecer. E a terrível sensação de que não houve sequer a possibilidade de escolha...

Janeiro 24, 2011 @ 18:58.



Porque tem coisas que simplesmente não cabem em 140 caracteres.
Tem coisa que não cabe nem na tinta entre a mão e a caneta...
E elas estão aí, mas tem gente que não quer ver...
Ou não consegue mesmo... não tá a fim de ler naquele momento...
Só que elas continuam aí... e de repente acontece.
E o mistério de não saber quem foi, ou saber, mas não do jeito fácil?
A graça de aprender a fazer as coisas tentando, fuçando...
E a surpresa de descobrir que aquilo foi muito além do que propunha?
Essas coisas pra mim ainda valem a pena...

Uaaai, e de repente isso tava de um jeito e agora tá de outro?!

Dezembro 15, 2010 @ 23:16.



raptar-te
e sem mais
arrastar-te
para a cama boa
e ser leoa
leito perfeito
capte
a mensagem
do meu peito
it's up to you
mas
ne me quitte pas


licença poética pra cantar um intertexto

Dezembro 5, 2010 @ 20:58.



Sentidos aguçados para a fuga dos instantes, as belezas das miudezas, as ironias das efemeridades... Malemolência e mandinga para jogar com elas, brincar com os ângulos dos olhares, dos gestos, das sensações. Gostar do inexplicável, deixar-se levar pelo aleatório, pelas surpresas e reagir sem premeditar.

Novembro 27, 2010 @ 12:16.



Há quem acredite ser livre para ir e voltar, como se isso dependesse única e exclusivamente de sua vontade individual. Mal sabem esses que, nos dias de nosso mundo, os controles são tantos que nem conseguimos dar conta de conhecê-los por completo e que as nossas vontades há muito não são mais realmente livres. Somos movidos no tempo e no espaço, mas a única liberdade que vivemos plenamente é a de nos vendermos, e olhe lá. Aqueles que por alguns motivos levam vantagem no tal jogo, talvez porque além de se venderem podem comprar, julgam e opinam sobre as idas e vindas dos outros, esbanjando uma arrogância cega que me pasma, mesmo estando "acostumada" com essa história. São incapazes de perceber a violência que isso implica. Enchem-se de si, sem ao menos conhecerem-se a si mesmos e ainda denominam iguais aqueles que igualmente desconhecem, a não ser a partir de seus rótulos baratos e fáceis. Classificações carentes de qualquer conteúdo que vá além da leitura do próprio umbigo, pequeno e raso. E, como se não bastasse, ainda esbravejam aos quatro cantos suas conclusões e acabam arrebanhando outros umbiguinhos sedentos. Dizem querer distância dos que não se enquadram, sem se dar conta de que na verdade a dispensabilidade também se aplica a eles mesmos, provavelmente com muito mais força e perversidade. Diante disso tudo, no final das contas, o que sinto no fundo é uma tristeza grande quando vejo gente assim... Se multiplicando e seguindo.

Novembro 9, 2010 @ 00:57.



mais que literal
ou lateral
decidi ser
litoral

@ 00:29.



Quando começamos a temer o desconhecido até o ponto de perder o desejo de conhecer? Quando e por que começamos a suspeitar de todos os sujeitos, sem ao menos suspeitar de nossas formas viciadas de enxergar, entender, relacionar? Quando paramos de nos perguntar por que temos tanto medo de tudo e de todos? Por que passamos a aceitar e nos apegamos com tanta naturalidade aos cadeados, às assinaturas, aos carimbos, cercas e códigos? Por que chegamos ao ponto de perder a sabedoria de distinguir o que nos faz bem ou mal, deixando que determinem nossas vontades e necessidades, assim, tão fácil, como se isso não fosse muito importante?

Outubro 17, 2010 @ 14:22.



Eu inventei a nova progressiva: tesoura progressiva. Todo dia eu corto um pouco do cabelo, pra consertar a cagada que eu fiz no dia anterior. É porque o cabelo da gente é muito temperamental... Cada dia tá de um jeito, com uma ponta pra cá, outra pra lá. Aí eu vou cortando daqui, cortando dali... E assim vou pagando de descolada (ou de doida descabelada mesmo), estilo uma mistura de Gal com Bétha nos tempos bons.

Outubro 12, 2010 @ 12:22.



Um não é nunca nada sem outro. Fazer parte,
ser parte, mas ser um só. Estar sozinho, no m
eio de tudo, mesmo assim. Estar sempre con
sigo mesmo, constantemente refletindo, em di
álogo interior e exterior. Só somos em confron
to com outros e nos confrontando em nossos
espelhos. Fragmentos colados no mosaico em
que nos transformamos. Ser muitos ao mesmo
tempo que único. Cada um no seu quadrado?

Só que todo quadrado tem arestas...

Outubro 1, 2010 @ 18:20.



ela vem
curvando
crescendo
pelas coxas
rompendo botões
atravessando calcinhas
sempre segura
sem segurar
devir
de vir
devo ir?

Setembro 27, 2010 @ 19:45.



Encontrar um amigo na esquina, um abraço, comovaivocê? (ou oitáboua?!)... Caminhar sempre subindo, sem pressa, parar na velha casa, tomar aquele cafezin com queijo... Olhar pela janela lateral o horizonte e ver tanta beleza... Dedilhar o antigo piano, ascender as idéias e descer, com o violão e o canto, em busca de outros... Na falta de mar, o bar e os encontros, as viagens, as sensações, as reticências... Ah, Belo Horizonte...

Setembro 23, 2010 @ 11:35.



II

fim de semana quero encontrar com ela
pra gente trocar idéia, tomar uma cerva pra entreter
não quero mais viver dentro da caverna
decidi sair na tora, dar a cara pra bater
há muito tempo, já dizia o poeta
quem sabe faz a hora, não espera acontecer
eu aprendi que meu destino é agora
e de uma forma singela digo isso pra você

(...)

Setembro 19, 2010 @ 21:20.



Foi uma combinação de coisas: a tal música tocando no rádio, o jeito do vento de outubro, a noite colorida, fria e quente ao mesmo tempo, o recado na parede, a sensação ao virar a esquina e ver a rua... Tudo nesse instante me lembrou você e eu resolvi escrever. Só que o mundo deu tantas voltas que a outra parte deixou de fazer sentido... Ou ganhou outros muitos, inexplicáveis e difíceis de remeter. Mais uma vez, ficaremos no indizível e as lembranças parecem que vão continuar existindo só aqui, em mim.

Setembro 2, 2010 @ 19:42.



Os cabelos meio presos num lenço colorido. Não continha as gotas de suor escorrendo no contorno do rosto, passando pelo pescoço e se perdendo na camiseta molhada. Um pé descansando na batata da outra perna, como era costume, e os cotovelos apoiados sobre o tanque, enquanto as mãos esfregavam frenéticas um pedaço de pano. O pensamento ia e vinha de e pra todo canto. Vez ou outra cantarolava. De repente, sentiu a barra da saia ser puxada impacientemente. Eram os olhos pequenos pedindo companhia, buscando algo pra compartilhar. Entendeu e encheu uma vasilha com a água ensaboada, encontrou um canudo por ali e pronto. Bastou a primeira para os olhinhos se desviarem, maravilhados, correndo atrás do brilho. Logo correram e pularam os pés, afoitos, atrás das outras milhares que surgiam milagrosamente. Subindo, subindo, furtando todas as cores, transparecendo-as, brincando, voando e sumindo, sumindo... Os dois sorrisos explicavam tudo.

Agosto 28, 2010 @ 16:14.



Na encruzilhada de caminhos que levam pra lugares parecidos, talvez monótonos, uma árvore singular. A sombra, o fruto, o descanso. O que será que ela representa? Foi caso de pura sorte, uma semente pêga desprevinida pela terra? Mesmo com os homens querendo controlar tudo, todo o crescimento das coisas? Enquanto se constrói ao redor, a árvore é a surpresa de um labirinto. Um ponto para convergir, de chegar e de partir.

A gente se esquece que o sol se põe todos os dias, o tempo todo, em momentos, lugares diferentes, e pode ser sempre bonito se a gente for ver e olhar de verdade.

Girei em torno de mim mesma e olhei ao redor, indo e vindo pra cima e pra baixo... Os cinzas se pintando de vermelho e amarelo, e os barulhos desordenados viraram um pano de fundo sonoro e fez tudo fazer sentido. Num instante, as luzes se acenderam fazendo as sombras dançarem. E eu dancei junto, brincando no asfalto como se fosse verde.

Agosto 24, 2010 @ 01:05.



Ela gastava mais tempo sonhando que vivendo. Porque o tempo passava rápido e custava caro. Tinha que aproveitar ao máximo as sensações, enxergar todas as estranhezas, desmontar a linearidade, inventar percursos... Vai ver tinha era desaprendido de viver, ao perceber tudo na realidade se repetindo. Seria possível sonhar sem viver, se perguntava, e desconfiava que não. Haveria de viver aos poucos e ir aproveitando muito os momentos de sonho. Quem sabe pra aprender.

Junho 23, 2010 @ 12:12.



Por tanto amor, de dar e receber, sei que sou de sorte de não se acabar.

Junho 7, 2010 @ 18:41.



Intuição: mistura de racionalidade e emoção que me move. Sinto e penso e penso e sinto sem distinguir uma coisa da outra e vou entendendo minhas percepções e ações. Nem certas, nem erradas e preciso assumi-las assim, minhas. Sempre aguçar os sentidos para poder abrir as portas, ou escolher ficar atrás do vidro, ou simplesmente não enxergar. Como dizia a canção, mostrar como sou e ser como eu posso, afinal, meu corpo já é e gosta de todos os cantos e canta. Muitas vezes sem medida, o que não quer dizer que eu não seja medida pelos outros. Por isso, saber ouvir e processar, sem me enquadrar ou enquadrá-los, sem me enganar ou enganá-los.

Abril 23, 2010 @ 14:13.



O ponto não é só um final. É respiração, é fôlego pra outra idéia. Um novo começo, mas que parte de algum lugar. Afinal, as coisas realmente começam e terminam em pontos? Não são nossos olhos que estão acostumados a ver assim, definindo? Por que tanta dificuldade para entender o inacabado, o inexplicado? Mais que entender: contemplar... Precisamos mesmo das fases, das etapas? Do jeito que elas sempre foram, com todos em todos os tempos? Faz parte da nossa humanidade e pronto? A repetição das histórias, com início, meio, fim, início, meio, fim, e assim por diante? A linearidade? E se eu quiser recortar tudo em pedacinhos e colar tudo misturado? E se eu começar do meio e não quiser terminar?

Fevereiro 28, 2010 @ 00:11.



É sempre assim: o tempo tem que passar pr'eu perceber que preciso dele.

Dezembro 10, 2009 @ 13:32.



eles passarão, eu passarinho

Da janela de uma casa sem paredes, vê-se uma árvore e seus pássaros, ressoando nos escombros do que costumava ser um quintal. A garagem ainda avisa que está em uso, mesmo que não haja ninguém para estacionar por ali, a não ser as máquinas e os catadores de papel e sucata. O comum agora são os tratores e os homens de capacete, destruindo e construindo tão rápido que a paisagem de um dia não é a mesma de outro, apesar de ser tudo parecido. Em tons de marrom e cinza, o quarto, a sala e a cozinha. E se essa casa fosse minha?

Avenida Antônio Carlos, 25 de agosto de 2009

Novembro 12, 2009 @ 11:52.



mono silábica grafia engasgada esterilizada
estéril encurvo murmuro movimento preso sentada
mute som silenciado confunde desejos conexões
compasso apressado ponteiro olhares solidão
branco cinza preto azul brilhante
tontura giratória longe pula
volto respiração
estereo
mó nó
mono
grafo

Setembro 8, 2009 @ 22:08.



Caminho em ruínas de um tempo que ainda não passou. Tudo em volta se desfazendo tão rápido quanto quando formado. O concreto se rompendo no aço, poeira no ar. Fragmentos transformados em morros aplainados para passarmos. Passamos por cima e isso basta. Como se bastasse!

Ruínas de vida para abrir o caminho. Memórias que se escondem em lugares que não vemos, em pessoas que não percebemos, porque passamos, num passo de tempo apressado. Sentimos e ouvimos notícias de outros ontens, resquícios do que havia. Tudo que víamos agora não é mais, é outra coisa, e não estranhamos. Como se não fôssemos estranhos!

Caminhamos mais rápidos do que nossos passos, que já não cabem no tempo para transpor o caminho. Somos tantos e estamos em tantos lugares que nossos corpos se encontram em si mesmos e em outros apenas quando convêm. Definimos nosso tempo pelo que foi definido por outro, alguém indefinido. E todo o espaço que ocupamos parece obedecer, como se não parássemos!

As memórias dos que pararam, dos que antes ficaram, não são concretas, então, como se não existissem, viram passado. Embaixo do caminho, não vemos, não sentimos, não estranhamos. Dentro da nossa definição, talvez seja isso que buscamos. Como se não passássemos!

Pra Antônio Carlos,
luminosa linha eterna
(não mais) cercada de árvores.

Agosto 28, 2009 @ 01:30.



Quando eu queria ter um caderninho em branco pra escrever, eu não tinha. Fiquei pensando e perdi tantas coisas... É sempre assim. E me canso, sabe?! Não que se eu rabiscasse tudo se resolveria, mas ajudava. O bom é que eu ainda venho aqui... Escrevo errado, corrijo, reescrevo, remonto e é interessante, porque não tenho que pegar e guardar... Tá tudo aqui, no MUNDO.

Agosto 3, 2009 @ 01:50.



De novo numa mesa de bar ouvindo as músicas inéditas mais repetidas de todos os tempos. A boca beija o copo de cerveja sem espuma e os olhos encurtam com o amargo quente. Vários ao redor vivendo seus casos apáticos e destemperados. A paciência anda em falta e já não é de hoje. Há certa ansiedade, na falta de nome melhor pro incômodo nas entranhas. Finjo que são gases e não me canso de pedir as saideiras.

Julho 1, 2009 @ 02:05.



Continuo querendo idéias acentuadas...

Junho 29, 2009 @ 14:53.



seria bom se
toda vez que ele subisse em uma rede
se lembrasse de mim
mesmo que eu não soubesse

fico brincando de pensar

Maio 20, 2009 @ 00:27.



Sonhei que estava em uma cidade verde. Chovia, as ruas viravam toboáguas e as pessoas, com suas roupas molhadas, iam e vinham livremente de uma árvore à outra. Em um relâmpago, uma trovoada anunciava que a nuvem já passara e a terra sugava a água sedenta. Em pouco tempo tudo era úmido, desenxarcado. O calor fazia tudo se desenroscar mais rápido e crescer. Muitas vidas crescendo e trocando até acordar.

Maio 12, 2009 @ 18:27.



gosto quando o silêncio acontece
mesmo que povoado
pelo zunido do barulho antecedente
pelos cães de longe
por alguém gritando um choro
por algum movimento estranho dentro de mim
pelo roçado da pele no lençol
e zás.

Abril 16, 2009 @ 02:21.



Senti o cheiro em mim de tempos atrás e lembrei de como eu era então... vagamente. Sei que ventava. Talvez por isso sentia meu próprio cheiro. Mentira. Eu quase sempre sinto meu cheiro, mesmo que não vente. É divertido procurar. Sei que as coisas eram novas e o cheiro era novo também. Depois parou. Não sei bem quando. As lembranças que vêm dos cheiros são as mais lindas... as mais vagas e mais lindas.

@ 02:15.



lá no fundo,
minha boca anda amarga
parece que ninguém entende
o que sai dela
do jeito que sai
pouca gente compreende o amargo

@ 02:12.



Se até as coisas mais concretas diretas e retas são efêmeras, com aquelas tortas invisíveis e sensíveis não poderia ser diferente. Muitos fingem indiferença, alguns são indiferentes de fato, mas eu não consigo ser. Meus olhos piscam mais lentos que a rapidez das coisas que vêm e vão como se ninguém ligasse. De repente eu pisco e puft! Já era e nem uma alma viva viu ou sequer quis ver. Desapego é importante, eu sei, mas meu coração sofre, porra. E sofre devagar. Mesmo sabendo que tudo se move em círculos. Um dia volta, um dia passa, tal e coisa.

Esse blog se foi e eu achei muito paia. Senti coisas estranhas e percebi que ele é mais importante do que eu pensava. E mais efêmero também. Não que eu já não soubesse disso, afinal, quer coisa mais abstrata que o mundo virtual? Enfim, ele renasceu das cinzas. E que dure enquanto durar.

Fevereiro 3, 2009 @ 20:54.



Cabô o mi, cabô a pipoca?

Outubro 30, 2008 @ 23:43.



Caminho em ruínas de um tempo que ainda não passou. Tudo em volta se desfazendo tão rápido quanto quando formado. O concreto se rompendo no aço, poeira no ar. Fragmentos transformados em morros aplainados que ninguém vê ou sente. Passamos por cima e isso basta. Como se bastasse!

Outubro 4, 2008 @ 11:27.



É tanto que eu quero dormir dentro da sua camiseta.

Setembro 30, 2008 @ 23:18.



Ver tudo com olhos de primeira vez, que pingam e se entregam. Viver o sempre como nunca. Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Entender como quem não entende, saber como quem não sabe, ensinar como quem não ensina. E como entende... E como sabe... E como ensina... Querer mais, sempre mais, mas mais melhor, e buscar e buscar e buscar, como quem viaja...

Setembro 13, 2008 @ 17:47.



Como se livrar deste mundo? Esquecer as formas todas, de dentro e de fora, para poder moldar de novo, talvez mais colorido e indefinido, ou não, ou outra coisa qualquer que não conseguimos sequer imaginar? Como viver este mundo sem que ele apareça o tempo todo como um tempo determinado, sempre insuficiente, sempre agilizado e utilizado?

Setembro 10, 2008 @ 16:48.


Este layout foi feito de uma maneira arcaica e, por isso, é melhor visualizado com os dois olhos bem abertos e numa tela do tamanho da minha. Eu tentei, mas as coisas continuam saindo do lugar e etc. Ah, se você chegou até aqui, parabéns, obrigada e volte sempre! :)
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